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Começo, meio e fim

Começo, meio e fim

Em meio a tantos problemas de relacionamento, a gente se perde com tanta frequência, que acaba se encontrando.

Marcela Silva
Juca Bartolini

Terminar um namoro, levar um pé na bunda, ser traído. Quantas dessas coisas não acontecem diariamente com qualquer pessoa, e das piores formas possíveis? Pensar e falar em término de relacionamento não é nada fácil, quase sempre pior para quem é deixado, mas sempre doloroso para ambos os lados.

Me peguei discutindo essa situação com alguns amigos, uns que sofreram, alguns que fizeram sofrer e outros que nunca sentiram a amarga dor de um término. E os comentários foram os mais curiosos possíveis. Há quem acredite em amor à primeira vista, quem necessite estar com alguém, independente de sentimento, ou quem se aliene com qualquer relacionamento, pelo simples fato de nunca ter tido alguém.

Amigos à parte, vemos isso até nos filmes, onde conseguimos traçar perfis psicológicos durante as cenas. Quem não lembra do Tom, de “500 dias com ela”? Totalmente alienado num relacionamento que julgava ser o mais perfeito de sua vida, porém, não correspondido. Em “Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou”, Fernanda, interpretada por Mônica Martelli, tem tanta esperança no amor e de encontrar o seu príncipe encantado, que acaba entrando só em relacionamentos furados até encontrar um cara que faça a diferença. Mas a esperança a guiou.

Em “Léo e Bia”, filme que eu indiquei há duas edições, Léo sente a necessidade de proteger a dramática e problemática Bia. São tantos românticos que expressam seu amor das mais variadas formas que fica até difícil enumerar.

A questão é: por que tanta encenação? Claro que terminar dói, é óbvio que levar um pé na bunda machuca, mas até isso pode te empurrar para frente. As pessoas insistem em viver em um comercial de margarina, seja com quem for, algumas vezes para saciar a vontade de terceiros, outras vezes a si mesmos. Existe uma necessidade, não só pessoal ou social, mas inclusive familiar, de que após uma certa idade você tenha e mantenha um relacionamento estável, independente do seu grau de felicidade.

Quantas vezes já escutou no almoço de domingo “cadê o namoradinho, Luiza?”. Pô galera, que coisa mais chata. Este tabu sobre o tempo que se demora para arrumar ou para superar um relacionamento é cotidiano. Conheço gente que há mais de anos ainda é apaixonada por aquela pessoa que traiu, mentiu e pecou incessantemente. Por quê? Não sei. Assim como conheço pessoas que são casadas há 20 anos e precisam entender que não estão mais em um relacionamento e, sim, numa situação de comodismo.

Claro que pessoas casadas têm problemas maiores que namoradinhos, mas o problema em estar acomodado é bem maior que ter que lidar com papelada, filhos e divórcio. Nunca estive casada, talvez fale sem propriedades, mas prezar pela felicidade não é primordial? E no caso supracitado, é a felicidade mútua, pois uma pessoa infeliz não faz outra feliz, muito menos conseguirá dar todo o apoio emocional que um filho necessita.

A hora de terminar. A hora de assumir. A hora de confessar algum sentimento verdadeiro. Falar que te amo “sem vergonha”, ou falar que acabou sem pena.

Músicas para superar o pé na bunda
E apesar de não ser fácil, não ser bom, vamos passar por isso pelo menos uma vez na vida, então aí estão algumas músicas que podem te ajudar.
Música para o luto pós-relacionamento
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Mesmo se você tiver no seu dia mais feliz, essa música vai te fazer chorar. Mas chore tudo que tiver pra chorar, porque daí vem a próxima.

Música de superação pós-luto do relacionamento
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“Que Deus me livre e guarde de você”, xô!

Música para começar a ser solteiro e ousado
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Treinando a sensualidade na frente do espelho.

Música para esquentar antes da primeira balada
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Just give me tonight!

Música para o dia de luto após a primeira balada
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E chora de novo, tudo de novo e mais um pouco, porque uma hora seca.

Talvez a gente leve a sério demais um relacionamento em nossas vidas. Às vezes penso que se eu levasse minha vida profissional com tanta preocupação quanto levo a vida amorosa, estaria na capa da Forbes neste instante. Mas claro que não... por quê... por quê... porque sim!

O importante nem é deixar de sofrer, ou deixar de se importar demais, o que realmente interessa é saber que, nem sempre, a culpa é nossa. Já tive relacionamentos que me culpei por dias sobre o término. “Como não posso gostar dele? Ele é um príncipe!” Só não é o meu. O real agravante é sempre acharmos que existe uma pessoa perfeita pra gente, que é, na maior parte dos casos, aquela que não está mais conosco.

Jogue a primeira pedra quem nunca comparou relacionamentos. Mas deixar isso acontecer é ser cobaia de moralismos. Da necessidade que as pessoas têm de falar das nossas vidas e dos nossos sentimentos. Por que não poder ser feliz sozinha? Por que não poder amar pessoas do mesmo sexo? Por que não poder criar vínculos sem ter que assinar 400 papeis na frente de padres, pastores, papas e afins?

É por essas e outras que o real valor do relacionamento se perde, em algumas vezes. O sentimento, a lealdade, a veracidade e companheirismo. E cabe a nós darmos o valor suficiente às pequenas coisas, para que elas não se transformem em mais um fim.

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Edição #20
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