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Era uma vez Hollywood e a humanização dos contos de fadas

Era uma vez Hollywood e a humanização dos contos de fadas

De pequenos que sentaram na frente das telinhas para assistir os contos de fadas mais clássicos, viramos adultos que assistem a humanização deles nas telonas.

Valdo Mendes
Renan Riso

Dentre tantos trabalhos desenvolvidos pela indústria cinematográfica, os contos de fadas são belos destaques na contemporaneidade. Deixando os livros infantis e invadindo as telas hollywoodianas, as histórias que tanto conhecemos, desde crianças, criam novas asas e rumam a finais felizes cada vez mais humanizados.

Dos pequenos que cresceram assistindo as animações majestosamente coordenadas por Walt Disney, somos agora adultos, que veem desenhos tomando formas, estereótipos sendo descontinuados e tabus sendo quebrados.

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Temos, por exemplo, a história do primeiro vencedor do Oscar de melhor animação da Disney, o longa-metragem, “Frozen – Uma Aventura Congelante”, fenômeno de bilheteria cuja trilha musical é o disco mais vendido de 2014. Quando poderíamos imaginar que veríamos, de uma cultura que tanto incentivou o amor à primeira vista ao decorrer dos anos, um personagem principal falar “você não pode casar com um homem que você acabou de conhecer”? Quando poderíamos imaginar, também, que as princesas não precisariam mais de heróis estereotipados? Que o amor pode acontecer entre personagens tão distintos, inclusive hierarquicamente? Quando, vide “Enrolados” (Tangled), uma princesa poderia se apaixonar por um ladrão? O idealismo trabalhado na cultura hollywoodiana não é o mesmo. É perceptível que a cultura tenha se desenvolvido com o tempo. Afinal, tudo parecia tão crível na outrora.

O surrealismo de uma vida perfeita, tão pregado anteriormente, foi inibido pela nossa vontade de ter um relacionamento com as nossas histórias tão conhecidas e com os nossos personagens tão amados. Ao decorrer da nossa infância, tomamos o universo mágico para nós mesmos. Quem nunca quis que alguma situação fosse resolvida em um passe de mágica?

Em Cinderela, por exemplo, vimos uma princesa loira, com seus olhos azuis, ser tratada como gata borralheira, mas apenas temporariamente, pois oh, isso não era possível tampouco merecido (perdoe-me, Cinderela, não estou desmerecendo seu sofrimento). Também descobrimos que tudo não passa de uma questão de vontade: o querer, definitivamente, é poder. O desenrolar é fortuno, pois quando queremos algo de todo o coração, tudo pode acontecer. Inclusive, uma fada madrinha para resolver todos os seus problemas, lhe dando um vestido belíssimo, sapatinhos de cristal, um príncipe, um palácio e um final “bem-feito-na-cara-do-prefeito” para os antagonistas da história. Com a evolução cultural, quase meio século depois de Cinderela, vimos Mulan, a jovem chinesa que se passa por um guerreiro, tomando as rédeas de sua própria história, não dependendo de príncipe algum e batalhando pelos seus ideais.

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Há quase cinco anos, foi a vez de “A Princesa e o Sapo”, em que ganhamos a primeira princesa negra da história - ainda que em um enredo estereotipado -, uma trabalhadora nata, com sonhos a serem realizados às custas do seu próprio suor. Percebem o que eu quero dizer? De personagens principais que recebem a mudança que desejam nas mãos, temos, agora, personagens que batalham pelo seu destino, pelo seu final feliz.

Quando pensamos em nossos finais felizes, não temos nada além de incertezas e caminhos a serem escolhidos. Diferente de Bela Adormecida e suas três fadas madrinhas, somos seres humanos, com possibilidades que levam a destinos diferentes. E por mais que já tenhamos o necessário, nunca estamos satisfeitos com o que temos e sempre queremos mais. Mas devemos ter cuidado com o que desejamos, e deixar de colocar grandes expectativas em histórias surreais.

Como em “Caminhos da Floresta” (Into the Woods), filme baseado na peça homônima com estreia prevista para 1º de janeiro de 2015, onde vemos personagens tão conhecidos por nós, como a já citada Cinderela, João e o Pé de Feijão, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho, com tantos desejos, mas sem pensar em como as consequências de seus atos podem afetar os seus trajetos. Até onde a realização é real? Nunca estamos satisfeitos pois sempre que alguma vontade é sanada, outra surge, ou alguma secundária se torna principal.

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Tantas reflexões trazidas tão sutilmente, vão sendo absorvidas quando paramos para pensar. A humanização que tanto desejamos há algum tempo, se torna concreta, pois nos identificamos cada vez mais com os personagens e suas trajetórias. Depois de folhearmos os capítulos de tantas histórias, percebemos o quanto os contos de fadas, finalmente, se tornaram reais. Os finais são uma questão de percepção, pois o idealismo perfeito do “felizes para sempre” é material para as telas hollywoodianas de décadas passadas.

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Edição #19
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