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A sonoridade nostálgica de uma mulher

A sonoridade nostálgica de uma mulher

A canadense Kiesza lança seu álbum de estreia repleto de influências dos anos 90.

Renato Cabral

Uma onda nostálgica parece tomar conta do cenário musical mundial. Da novela que regrava os Beatles até cantores que se lançam apoiados nesse conceito de trazer novamente à cena uma época ou estilo musical. Muitas vezes essa retomada está mascarada com efeitos atuais que fazem com que o ouvinte não perceba explicitamente, como nos casos do projeto La Roux ou ainda do Hercules & Love Affair que oferecem o dance dos anos 80 e 90 de uma maneira completamente reformulada. Recentemente, até literalmente vestindo a estética da década de 90, a canadense Kiesza arrasa nas pistas e rádios sem medo de referenciar diretamente artistas como o Corona (de “Rythym of the Night”) e Haddaway (“What is Love?”).

Kiesza pegou a grande maioria de surpresa. Todos se perguntaram de onde viria essa garota ruiva que dança e canta com um leveza de bailarina profissional. Foi com o clipe de seu primeiro grande single, a deliciosa “Hideaway”, que a canadense se destacou. Em plano sequência, sem cortes, Kiesza aparece dançando pelas ruas, interagindo com transeuntes e seus dançarinos. Uma simplicidade que encantou bem além do videoclipe, fazendo parte de um EP de mesmo nome, a canção dançante conquistou a Europa instantaneamente conseguindo o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido. A habilidade na dança não deveria ser surpresa. Até os 15 anos, a canadense foi bailarina e sempre dançou jazz. Performática em suas apresentações atuais embaladas pelo sucesso de “Hideaway”, tudo que o mercado musical precisava de Kiesza e sua estreia comercial através de um álbum era o próximo (e óbvio) passo a dar sequência.

Uma nova Sia?

Kiesza escreveu canções para os novos álbuns de Rihanna e Kylie Minogue. Infelizmente, no da cantora australiana, as canções foram descartadas. Mas, segundo comentam, as faixas de Kiesza podem estar no novo álbum de Ririh que ainda não possui data de lançamento.

De carona com Demi

Kiesza foi uma das convidadas de honra de Devi Lovato para abrir os shows da cantora americana na sua turnê mundial. As aberturas foram no último mês de outubro.

Novinha, mas platinada

A canadense nasceu em 1989 e tem apenas 25 anos, mas já alcançou no Canadá certificado de Platina digital pela venda de 80 mil unidades de “Hideaway”.

Hideaway dos recordes

O hit de Kiesza foi produzido e finalizado em apenas 1h30. E o videoclipe foi realizado em apenas um dia de filmagem com apenas duas tomadas.

Depois de alguns bons meses de especulações e divulgações de singles, nesse mês de outubro finalmente conhecemos a primeira empreitada oficial da cantora com o lançamento mundial do intitulado “Sound of a Woman”. Imersa no eurodance, house, sintetizadores, R&B e um vocal excepcional, a moça traz canções que vão muito além das pistas, contando com letras que exaltam a mulher, relacionamentos e o prazer do sexo. Tudo de forma sutil, sem citar, por exemplo, cobras gigantescas originadas da Amazônia. Além disso, como a própria já colocou em entrevistas sobre seu processo criativo do álbum, devido ao seu passado com envolvimento com o gênero folk, o álbum possuiria, além desse gênero musical, influências do grunge e rock.

Com um álbum de 13 faixas, Kiesza aproveita o sucesso de “Hideaway”, e usa o trabalho para introduzir o ouvinte ao universo de “Sound of a Woman”. Logo em seguida somos guiados para o terceiro single de trabalho da carreira, a contagiante “No Enemiesz”, que teve um belíssimo clipe lançado no final do mês de outubro com vários efeitos especiais, sem perder a essência simples de conceito de “Hideaway”. A cantora estrela o vídeo dançando e tirando aos poucos suas peças de roupa que vão se transformando em dançarinos com os quais interage.

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento

Primeira parceria de Kiesza nesse álbum, o rapper Mick Jenkins aparece para dar um tempero em “Losing My Mind”, faixa que parece remeter aos trabalhos de Lauryn Hill. Na sequência, “So Deep”, que também integrava ao lado de “Hideaway” o primeiro EP da cantora, é uma faixa sensual sobre se entregar e mergulhar profundamente no parceiro e em seu corpo.

Ao longo do trabalho encontramos faixas como “Vietnam”, “Sound of a Woman”, “The Love” e “Piano”, que impulsionam a canadense a algo maior que um simples álbum de estreia com uma ou duas músicas de verdadeira relevância. E, “Sound of a Woman” não dá título ao álbum por nada. Kiesza encontra na música seu diário, seu momento de reflexão pessoal e a música a representa. “Piano” é outra faixa sensual na qual a cantora convida o parceiro a tocar suas “teclas”, como um piano. Vale lembrar ainda de “Bad Thing”, com a participação de Joey Badass, na qual escutamos uma Kiesza flertando com o rap com muita naturalidade. Há momento até mesmo para homenagear um dos hinos dos anos 90, “What is Love?” do Haddaway, cover que transforma em uma balada.

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento

A faixa que encerra o álbum, “Cut Me Loose”, é uma outra tentativa de balada da cantora, apesar de destoar do restante do trabalho. Com apenas um piano ela apresenta uma letra emocional sobre estar sozinha ao se desprender de um relacionamento. Reside nesse momento as raízes folk de Kiesza. Como Jessie J, é notável que às vezes o exagerado uso de sintetizadores e elementos eletrônicos mascarem o belo vocal que possuem.

O balanço que fica é que por mais que haja algumas (pouquíssimas) faixas que nem podemos considerar fracas, mas sim regulares, Kiesza entrega um material coeso que revive muito bem a década de 90. Certamente fica a curiosidade de conhecê-la além dos sintetizadores como em “Cut Me Loose”. Mas como ela está só começando, esperaremos para seus próximos álbuns mais momentos de nostalgia, experimentações e esse lado desplugado que destaca a bela voz da cantora. Até lá, “Sound of a Woman” já caminha para a listagem de melhores álbuns de 2014, nos deixando apenas com o trabalho de dançar bem animados pelas ruas e pelas pistas como a própria cantora em seus vídeos.

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Edição #19
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