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A musa dos passos de ouro

A musa dos passos de ouro

Ela chegou e conquistou o posto de maior modelo da história. E não, ela não quer parar.

João Vicente Bernardi

Deixa eu contar uma história para vocês.

Era uma vez uma menina gaúcha. Seu sonho era ser jogadora de vôlei. Um dia, alguém disse a ela que, se ela quisesse, poderia ser modelo. Imagina! Ela? Modelo?

Mas, pensando melhor, por que não? E assim se fez. Aos quatorze anos, deixou seus pais e suas cinco irmãs (uma delas, sua gêmea), e partiu para essa aventura que, na melhor das hipóteses, duraria alguns anos. Depois, ela até poderia voltar a jogar vôlei!

Foi para São Paulo, Nova York, Milão e Tóquio. Por onde passava, fotografava para as mais diversas grifes e não perdia uma oportunidade para desfilar. A indústria começou a reparar nessa menina, agora moça, e viu que ela era diferente. Com um caminhar único e poderoso, em 1997, ela ganhou destaque ao encerrar um desfile para Alexander McQueen. Em 1999, a Vogue disse que, graças a ela, houve o retorno da modelo sexy (e, acreditem, deixando para trás Kate Moss).

Depois que a Vogue a colocou definitivamente no mapa, sua carreira cresceu exponencialmente. Assinou um contrato milionário com a Victoria’s Secret, em 2000, e solidificou sua imagem. Ao sair da gigante das lingeries, 5 anos depois, a marca viu suas vendas caírem momentaneamente: era ela que as mulheres queriam ser. E, em menos de quatro anos, se tornou a modelo mais requisitada para capas da já comentada Vogue, em suas edições por todo o mundo, catalogando 10 nesse período. Ela já tinha se tornado a maior modelo da sua geração – e um ícone imortal na indústria da moda.

Depois de atingir o topo, era esperada uma queda gradual. Porém, essa mulher conseguiu ir além, redefiniu o conceito de sucesso, e, até hoje, ninguém conseguiu destroná-la. Ela já recebeu diversos títulos e prêmios, e já perdeu as contas de quantos anos fazem que ela é a número um do mundo e a mais bem paga no ramo.

Mesmo com um sucesso nunca visto antes ao redor do globo, ela sempre manteve um pé no Brasil. Durante anos, foi o rosto da grife Colcci, e, quando decidiu sair, a marca teve que montar uma estratégia para as vendas não caírem. Ela abençoou a chegada e passou o bastão para a nova top model da marca (também brasileira e gaúcha) Alessandra Ambrósio, em um desfile estrelado pelas duas. Os brasileiros podiam respirar aliviados, a sua musa não foi simplesmente substituída.

Recentemente, sabe-se que ela assinou o maior e mais lucrativo contrato de sua carreira. Seu cachê foi de 275 milhões de dólares. Na campanha para a marca esportiva Under Armour, o enfoque não é sua habilidade nas passarelas ou a sua sensualidade, mas sim na força que tem em seus braços e em suas pernas ao socar e chutar um saco de boxe, que representa (claramente) quem dizia que ela não tinha mais idade, que ela não tinha mais mercado, e que ela não era mais capaz de nada. Na mesma proporção dos seus golpes, está a sua força de vontade de vencer. Esse contrato mostra que ela não pensa em parar, para a felicidade do mundo inteiro. A economia também agradece, afinal, há uma valorização nas ações das empresas em que seu nome está associado.

Mas por que essa mulher continua relevante até hoje? Talvez seja porque ninguém desfila com tanto poder e autoconfiança como ela. Talvez seja porque suas feições são tão naturais e passam longe da beleza “comum”. Talvez seja porque ela construiu uma carreira tão sólida que os resultados não vieram apenas de imediato, mas sim como consequências em longo prazo. Talvez seja porque ela construiu uma imagem tão respeitada que seu nome nunca traz notícias negativas. Talvez seja porque ela é verdadeira e carinhosa, o que falta e sempre faltará na mídia, e isso faz com que o público apenas queira seu bem. Talvez seja sorte. Talvez seja destino. Não sei, não temos a fórmula, temos apenas suposições. E enquanto houver apenas suposições, outra igual não teremos. E nem queremos, amamos apenas uma.

O mais impressionante nesse conto de fadas, é o quão humilde essa mulher é. Na mesma proporção que ela cresceu (e ainda cresce) na indústria da moda, ela se doou aos necessitados e ao meio ambiente. Seus trabalhos sociais são incontáveis. O de maior destaque é como Embaixadora da Boa Vontade pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, da ONU. Um corpo e um rosto bonito que ganhou voz, e uma voz poderosa que consegue atingir a todos, não importando a nacionalidade, a cultura ou o idioma.

Ela fala como nós. Ela não se deslumbrou com o mundo em que trabalhou e continuou sendo aquela garota do interior, com o mesmo sotaque e os mesmos princípios. Atrelou seu nome apenas com causas do bem e que trariam algum retorno positivo à sociedade.

Enfim, chegamos ao fim da história. Mas a história não chegou ao fim. Novos capítulos são escritos todos os dias, pela própria protagonista. Quem sabe um dia ela nos conta a sua fórmula, num epílogo, talvez.O mais incrível disso tudo é que em nenhum momento eu citei o nome dela nesse conto que, por muitas vezes, pareceu inventado. Mas você já sabe quem ela é. Essa modelo, que é considerada por muitos a última supermodelo do mundo, tem um nome tão forte que podemos falar dela implicitamente. Essa é a Gisele Bündchen, e ela está entre nós.

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Edição #17
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