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Música feat. Moda: o que faz a etiqueta de um ídolo valer mais que a de outro

Música feat. Moda:o que faz a etiqueta de um ídolo valer mais que a de outro

Os chefões da moda, da música e do marketing perpetuam um monte de ideias que vão se adaptando e acabam chegando até nós, meros consumidores em busca da última novidade que nem é mais tão novidade assim.

Mônica Alves

Quando uma tendência começa a funcionar, todo mundo segue e a transforma praticamente em uma verdade absoluta. Foi assim com o azulejo português, com a saia assimétrica e com a tenebrosa calça listrada do Beetlejuice. Com esse pensamento de apostar sempre em time que está ganhando, os chefões da moda – e do marketing - perpetuam um monte de ideias que vão se adaptando e acabam chegando até nós, meros consumidores em busca da última novidade que nem é mais tão novidade assim. E como negócio é negócio, o que vale é juntar dinheiro e conseguir atingir o maior número de pessoas possível.

E quer melhor jeito de atingir um monte de gente de uma vez só senão pela música? Ainda mais hoje em dia que a gente ouve, gosta, se identifica e já declara que é fã em cinco minutos. Seja pela música em si ou pela imagem, os dois universos se grudaram e não se soltam mais, como aquela tendência que vive se reinventando a cada estação. Só que todo mundo sabe como funciona um featuring: não pode apenas ser bom, precisa ser muito bem trabalhado pra dar certo.

Música feat. Moda: o que faz a etiqueta de um ídolo valer mais que a de outro
DivulgaçãoRihanna emprestou seu nome para batizar uma linha de batons da MAC.

Começando pelo básico: você tem que ser um artista estiloso. Não adianta nada ser o guitarrista desconhecido que só usa jeans ou usar sempre o mesmo bendito penteado (alô Ariana) e querer ter sua própria coleção Primavera-Verão. Você precisa ser daqueles que sabe quem é, o que gosta e o que fica bem – e não importa se essa noção já nasceu com você ou foi construída por um personal stylist. Victoria Beckham, Gwen Stefani e Kanye West estão aí pra provar que uma marca de sucesso não depende só de nome, mas também é fruto da belíssima adaptação de um super estilo próprio e que funciona muito bem em um mercado que pode, e vai, atingir milhares de pessoas.

Beleza, sou estiloso, vou lançar uma linha de tênis coloridos com salto pra usar em casamentos e todo mundo vai comprar. Amigos, é sempre bom lembrar que menos é mais e que pra ter um hit você tem que conhecer seu público. Vale lembrar da Rihanna, a garota de ouro que toda marca sonha em ter. Goste ou não, tudo que Ri-Ri toca já vem direcionado a uma plateia específica, vira assunto e, consequentemente, vende.

De batom da MAC a terninho Armani, a equipe da cantora sabe dançar conforme a música e talvez seja por isso que ela está por aí recebendo cerca de cem mil dólares pra sentar na fila A dos maiores desfiles do mundo enquanto a gente faz fila pra pagar carnê da Renner. Shine bright like a diamond.

Música feat. Moda: o que faz a etiqueta de um ídolo valer mais que a de outro
ReproduçãoPharrell Williams na última Semana de Moda de Nova York.

E já que estamos em 2014, vamos falar dessa máquina de fazer dinheiro que atende pelo nome de Pharrel Williams. Mesmo que a gente não aguente mais bater palmas e falar que é feliz, o dono do chapéu mais famoso da atualidade sabe fazer acontecer como poucos. Talvez por ser um dos melhores produtores da indústria, Pharrell tem aquele olhar diferenciado de quem sabe o que vai dar certo ou não.

Depois de uma coleção incrivelmente bem sucedida junto com a Adidas, o moço acertou em cheio na última Semana de Moda de Nova York ao apresentar a G-Star Raw for the Oceans, com peças feitas de materiais reciclados encontrados no oceano. Juntando o útil ao agradável, o onipotente Pharrell conseguiu o que todo mundo quer em um mundo que precisa incluir a sustentabilidade da forma certa: atraiu atenção a um tema importantíssimo e emplacou sua marca nas maiores publicações de moda. Isso sim merece palmas.

E como tempo é dinheiro, 2015 já mostra que não está pra brincadeira. A recém-lançada linha de lingerie de Britney Spears, a coleção de sapatos de Iggy Azalea com Steve Madden e os acessórios de Miley Cyrus com o queridinho Jeremy Scott são os primeiros indícios de que o casamento entre música e moda ainda colhe bons frutos, trazendo gigantes dos dois mundos. Enquanto Iggy ainda trabalha o lançamento para fevereiro, Britney e Miley já se jogaram na divulgação e prometem muitas novidades para o boom do comércio das festas de fim de ano, inclusive com muito apelo às compras online.

Música feat. Moda: o que faz a etiqueta de um ídolo valer mais que a de outro
DivulgaçãoChristina Aguilera lançou uma linha de roupas em parceria com a C&A.

A verdade é que muita coisa já passou e muita gente já emprestou seu rostinho bonito para as mais diversas grifes – de Lana del Rey a David Bowie, passando por Lady Gaga fazendo cosplay de Donatella Versace. Mas também muita gente boa ficou esquecida em projetos que deram certo por um tempo e depois viraram lenda.

Já vimos Madonna vender horrores com a sua Material Girl antes da marca se estagnar, Beyoncé e sua mãe deixando todo mundo bootylicious com a House of Dereon e, por incrível que pareça, já até recebemos Christina Aguilera na SPFW pra falar de vestidos justos pra C&A - e não dar tchau pro repórter da Globo.

As parcerias chegam e passam com a rapidez de uma modelo na passarela, mas ficam os ensinamentos básicos de um negócio bem sucedido: imagem conta, mas não é tudo. Você pode até sair na frente com um nome já conhecido, mas essa é uma indústria que corre muito rápido e muda diariamente, como qualquer ramo do entretenimento hoje em dia. Timing, trabalho e um bom diferencial se firmam como os ingredientes de uma mistura que ainda vai render muita briga por uma etiqueta autografada, e a gente fica de olho pra ver quem vai ser o hit da vez.

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Edição #16
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