Vestiário

O melhor site de cultura pop e lifestyle gay do Brasil.

Minaj tentou, Iggy barrou

A tentativa de reposicionamento imagético no mercado foi interessante e necessária, mas o fator externo Iggy Azalea não permitiu que a nova Nicki tivesse tempo e espaço para mostrar a que veio.

Jader Gomes

Nicki Minaj, já logo no início, antes mesmo de se tornar mundialmente conhecida, teve seu nome associado ao trabalho de artistas já consagradas, como Mariah Carey, no single “Up Out My Face”, e Christina Aguilera em “Woohoo”, música do “Bionic”. Com esses “apadrinhamentos”, ninguém mais colocaria em dúvida a sua capacidade.

O disco de estreia, “Pink Friday”, fez a rapper se tornar um grande nome na indústria fonográfica. Uma ascensão meteórica com singles bem sucedidos e um movimento na cena Hip Hop que há muitos anos não se via – havia uma mulher causando furor. Não por menos, as comparações com Lil’ Kim foram inevitáveis, e todo mundo logo soube que o clima entre as duas não era dos mais amigáveis, principalmente após o lançamento da mixtape “Black Friday” e da capa onde a veterana sugere Nicki sendo decapitada. Mas, goste Lil’ Kim ou não, Minaj invadiu a música pop com muita peruca rosa, lentes de contato coloridas e roupas extravagantes.

“Super Bass”, o sexto single do álbum, foi um grande hit, trazendo para a cantora os holofotes que ainda não estavam virados para ela. A música teve ótima recepção da crítica e do público, e vendeu horrores, chegando ao terceiro lugar da Hot 100 em 2011. No mesmo ano, ela participou como ato de abertura da Femme Fatale Tour, da Britney Spears, e a Billboard a nomeou como a Estrela em Ascensão da vez.

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento

Mas apesar de todos os feitos, algo também inegável foi a capacidade que Minaj conquistou de se tornar uma figurinha cansativa com seus singles, e principalmente clipes, cada vez mais parecidos. Ela se agarrou à formula que deu certo e saiu repetindo aquilo sem o menor controle ou pudor. Tanto foi assim, que até o seu segundo trabalho de inéditas recebeu um nome que mais parece um reedição, “Pink Friday: Roman Reloaded”. Com ele, Minaj conseguiu mais highlights com “Starships” e a participação em “Give Me All Your Luvin'” do MDNA, mais recente disco da Madonna.

Mesmo com a passagem pela bancada do “American Idol”, que era uma enorme possibilidade de se humanizar perante o público - apesar de toda a exposição que vinha tendo desde 2010, pouco se sabia sobre Nicki Minaj por debaixo de toda aquela alegoria - o efeito acabou sendo contrário, principalmente com as confusões de bastidores com Mariah Carey.

Assim, com pouco mais de dois anos desde o lançamento do seu primeiro álbum, Nicki Minaj precisou dar aquela sumida, que senão estratégica quase que obrigatória, para quem extirpa muito da sua própria imagem em pouquíssimo espaço de tempo. Fosse por sua estética completamente over e confusa, pela excesso de participações especiais em músicas de diversos outros cantores ou pelas polêmicas, o fato é que ninguém mais aguentava essa overdose.

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento

E, inteligentemente, Minaj deu uma boa acalmanda e recuou o seu “big fat ass” do centro das atenções e foi repensar-se imagética e musicalmente. No entanto, o que ela – e talvez ninguém imaginasse- é que nesse meio tempo Iggy Azalea não dormiria no ponto. Enquanto Minaj se preparava para sair da zona de conforto, a rapper australiana chamou atenção e caiu nas graças do mercado norte-americano com o smash hit “Fancy”.

Minaj, que já havia deixado claro ter abandonado toda aquela ala carnavalesca que usava num único look, sacramentou o início de uma nova persona no primeiro single oficial do álbum “The Pink Print”. “Pills N Potions” mostra uma Nicki nunca explorada antes, em todos os aspectos. A música é, sem dúvidas, um de seus melhores trabalhos. Mas, para quem tinha uma coroa como rainha do Hip Hop, apesar do desempenho médio, o single não teve a atenção satisfatória como estava acontecendo com “Fancy”. Por isso, algum trunfo na manga precisava ser retirado.

A tentativa de reposicionamento imagético no mercado foi interessante e necessária, mas o fator externo Iggy Azalea não permitiu que a nova Nicki tivesse tempo e espaço para mostrar a que veio. A alternativa encontrada foi buscar, mais uma vez, referências naquilo que tinha sido sucesso anteriormente em sua carreira. Daí temos “Anaconda”. A reposta de Minaj para Iggy, e para o mundo, é de que ela mudou sim, mas nem tanto e que ainda está no páreo.

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento

A música, quase que instantaneamente, cumpriu o propósito a que veio, já é o maior hit de Minaj na Billboard Hot 100. Em menos de duas semanas, seu clipe recebeu o VEVO Certified por mais de 100 milhões de visualizações e Minaj voltou a ser pauta. Recuar ao se sentir acuada, talvez pareça acertado para a garantia do sucesso comercial. Se a possível nova Nicki Minaj vai ficar mesmo no dito pelo não dito, ainda não dá pra saber, mas se sim, parece que nós é quem temos algo a perder.

Comentários
Edição #15
Minaj tentou, Iggy barrou
Vitrola

Minaj tentou, Iggy barrou

Jader Gomes

A tentativa de reposicionamento imagético no mercado foi interessante e necessária, mas o fator externo Iggy Azalea não permitiu que a nova Nicki tivesse tempo e espaço para mostrar a que veio.

Leia a Matéria
A teologia de Inês Brasil
Editorial

A teologia de Inês Brasil

Murilo Araújo

Inês incorpora uma espécie de “teologia da liberdade”, cujos únicos princípios são amar a Deus e aos irmãos, sem ver a quem. Tudo com uma sinceridade incontestável, de modo que ninguém poderia – ou conseguiria – dizer que a fé dela é menos verdadeira ou legítima.

Leia a Matéria
Newsletter

Assine e receba por email as nossas principais atualizações, além de conteúdo exclusivo!