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Jennifer Lopez ainda quer falar de amor em “A.K.A.”

Em seu oitavo disco de estúdio, Jenny from the Block retorna cheia de amor pra dar e cantar.

Renato Cabral
[videofundo id="lEvK6oupgI8"] [artigo classe="um"] [hgroup classe="dois center alta"] [secao]Vitrola[/secao] [titulo]Jennifer Lopez ainda quer falar de amor em "A.K.A."[/titulo] [manchete]Em seu oitavo disco de estúdio, Jenny from the Block retorna cheia de amor pra dar e cantar.[/manchete] [autor]Renato Cabral[/autor] [/hgroup] [texto classe="texto-padrao cen"]

Com a capacidade de se renovar, Jennifer Lopez está na indústria fonográfica há quase duas décadas. Mas para alguns, parece que ela iniciou ontem. Talvez seja devido aos tenebrosos anos que vão de 2008 a 2010, quando JLo enfrentou problemas com a sua antiga gravadora, a Epic Records, ao lançar sua sexta empreitada de estúdio, o “Brave”. Com ótimas músicas e singles em potencial, o álbum foi um fracasso leve, mas que levou a carreira da cantora para uma revisão quando a própria e a gravadora se atrapalharam consideravelmente para lançar um novo álbum. Lopez pegou suas coisas e saiu da Epic, sendo muito bem acolhida pela Island e Universal. Daí o resto já sabemos, “On The Floor”, muitas participações em suas músicas (em especial de Pitbull) e o álbum “LOVE?”.

Um tanto escanteada pela demora de lançar o novo álbum, Jennifer e sua equipe não perderam tempo e reuniram alguns dos grandes hitmakers do momento, RedOne entre eles. Era hitar ou hitar. Ela precisava voltar com tudo ao mercado, mesmo que um pouco da sua identidade se perdesse no caminho. Até Lady Gaga colaborou escrevendo letras para o álbum.

Deu certo. “On The Floor” se tornou um verdadeiro estrondo global, dando à JLo o título de videoclipe feminino mais assistido do Youtube, totalizando mais de 760 milhões de views. Nem Lady Gaga tem tanto. “Papi”, uma fraca escolha de single, também rendeu milhões de visualizações. Fechando essa “Era musical” com um greatest hits e uma turnê mundial, chegava a hora de repensar as coisas e entrar em estúdio mais uma vez. E finalmente, em abril passado, Jennifer apresentou algumas faixas e a estética do álbum em uma conferência de imprensa depois de bombardear, por alguns meses, com os singles promocionais “Girls”, “Same Girl” e “I Luh Ya Papi”, esse em parceria com o rapper French Montana. [texto classe="texto-padrao esq"] [figure classe="img-post central"]

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O lead single acabou sendo definido por “First Love”, uma faixa sem participações especiais, somente com Jennifer nos vocais e cantando sobre um novo amor tão especial que faz com que ela deseje que os que vieram antes, não tivessem existido. A canção não é lá muito especial e sem dúvida existia um melhor carro-chefe para o álbum: “Booty”, que falaremos em seguida. Mas não podemos negar que “First Love” é uma produção coesa, bem radiofônica. Só que poderia ser interpretada por outras cantoras iniciantes até, não uma Jenny from the Block.

Jennifer ainda pegou a onda de álbum auto-intitulados. O álbum se chamaria A.K.A. (Also Knew As; em português: Também conhecida Como) que seria uma síntese de todos seus apelidos e alter-egos: Jenny, Jenny from the Block, JLo e Lola. A cantora ainda complementou dizendo que o tema do álbum seria o amor, pois acreditava não ter dito o suficiente sobre o tema e que novos acontecimentos fizeram com que ela escrevesse mais sobre. Vamos ver, estamos no oitavo álbum e ainda não deu para passar todos esses grandes ensinamentos sobre o amor?

Mas tudo bem, afinal... música pop tem um de seus pés firmados em canções sobre amor. E realmente, “A.K.A”. fala consideravalmente sobre amar e o amor, mas bem mais é um álbum que, através de suas letras, é sobre o corpo. A capa transmite exatamente isso. Lopez sensualizando num vestido vermelho com tiras em vinil, num estilo bandagem desenhado por Donatella Versace. Não vende amor, mas vende sexo e poder. Muito poder. Abrindo com a faixa-título, Jennifer canta que não é aquela garota que conhecemos. Que o cara que um dia ela foi a fim e não se decidia, depois de muito tempo, tomou partido e decidiu que quer ela. Só que quem muito demora, perde. Agora ela mudou e o mundo a deixou diferente, que ele nem conseguiria decifrá-la. É uma faixa de qualidade e que cria altas expectativas para o álbum.

Na sequência somos levados a “First Love”, já conhecida do público, e também a uma das melhores faixas do álbum. Em “Never Satisfied” ela canta o trivial, que quer mais e mais, está enlouquecendo, faminta pelo corpo de seu parceiro. Com um piano e toques eletrônicos a faixa fica à margem, quase chegando ao brega. Mas com um vocal na medida e uma produção inspirada a faixa brilha, sendo uma das que mais impressiona. Saindo da balada para o rap, em seguida vem “I Luh Ya Papi”, que muitos torceram o nariz quando lançada. Afinal, não lembrava em nada o que Jennifer já havia realizado e até parecia algo descartado por Nicki Minaj. Pode não ter agradado sonoramente, mas convenhamos que não deu para desagradar visualmente, com um videoclipe repleto de modelos sensuais em um iate. [texto classe="texto-padrao esq"] [figure classe="img-post central"]

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Perto do lançamento do disco, a sensação do momento, Iggy Azalea, anunciou que estaria no material. Alguns especulavam que a participação seria na faixa “A.K.A.”, mas acabou sendo em “Acting Like That”. Uma faixa regular e sem muito brilho. Os vocais de Iggy e Jennifer contrastam, mas acaba sendo aquela faixa que passa despercebida ao longo da tracklist.

O que fica difícil de passar despercebido são as baladas. Jennifer já lançou algumas dúzias e já fez até mesmo um álbum em espanhol com várias bem introspectivas, mas sejamos sinceros que ela se torna um tanto perdida quando se leva a sério demais. Isso faz com que se pule uma faixa como “Let it Be Me”, uma faixa tão arrepiantemente brega que faz com que se releve a ingenuidade em se escrever “I feel good, ‘cause I don’t feel bad”, trecho da letra de “Emotions”. Poucas artistas pop conseguem trabalhar bem nas duas frentes, em “A.K.A.” JLo mostra que esse não é mesmo o campo dela. “Emotions” é instrumentalmente lindíssima, mas pesada nos vocais em alguns momentos.

Por outro lado, “A.K.A.” ganha o ouvinte com faixas como: “So Good”, “Worry no More” com participação de Rick Ross e “Booty”, em parceria (novamente) com Pitbull, e co-produção de Diplo. Se a artista for bem esperta, deve virar single futuramente. É uma empreitada direta e sem pretensões, pronta para ser um club banger. Novamente batendo na tecla do corpo e do sexo, a produção utiliza muito bem Pitbull, que sempre costuma vir com as mesmas frases de efeito, mas aqui passa quase despercebido contribuindo até positivamente. [texto classe="texto-padrao esq"] [figure classe="img-post central"]

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O que mais pesa é descobrir que as melhores faixas foram parar na edição de luxo do lançamento. “Expertease (Ready Set Go)” co-escrita pela Sia, “Tens” com participação de Jack Mizrahi, “Troubeaux” com o Nas e “Same Girl”, foram colocadas de lado e lançada em poucos mercados. Em “Tens” é visível que Jennifer não só quis mergulhar no meio fashion como fazer uma ode a RuPaul, às drags e toda essa estética gay super carregada, fierce e icônica. E consegue. Jenny quer seu pedaço nesse glamour, “eating the runaway, serving the runaway” é só uma parte da letra da canção que é deliciosa.

Como a própria diz, “we don’t work bitch. We serve bitch.”. Entendeu, Britney? [/texto] [/artigo]

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Edição #13
“Viado, pra mim, tem que morrer”
Editorial

“Viado, pra mim, tem que morrer”

Murilo Araújo

O problema dos aplicativos traz à tona a questão da homofobia internalizada, vivida entre os próprios gays. E apesar da minha falta de paciência, às vezes me dá um pouco de tristeza ver que as pessoas não enxergam a violência da qual elas estão sendo, ao mesmo tempo, algozes e vítimas.

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