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No vestiário com Pedro HMC

O ex-roteirista do Furo MTV deu a cara a tapa e agora tem um projeto próprio. Com a ajuda de alguns amigos, o Põe na Roda mal chegou e já é sucesso.

Jader Gomes
[videofundo id="rh4yoF43s-Q"] [artigo classe="um"] [hgroup classe="dois center alta"] [secao]Almanaque[/secao] [titulo]No vestiário com Pedro HMC[/titulo] [manchete]O ex-roteirista do Furo MTV deu a cara a tapa e agora tem um projeto próprio. Com a ajuda de amigos, o Põe na Roda mal chegou e já é sucesso.[/manchete] [autor]Jader Gomes[/autor] [/hgroup] [texto classe="texto-padrao cen"]

O que uma mente criativa, a necessidade de realização pessoal e amigos loucos podem fazer quando reunidos? Um tanto de coisa, né? Entre elas, a nova sensação da música pop. Não, pera, da internet mesmo, o Põe na Roda.

Numa noite fria em São Paulo, de uma quarta-feira banal de muito trabalho, o Pedro HMC entrou no Vestiário pra por tudo na roda! Ok! Parei com esses trocadilhos ruins, o que interessa aqui é o que o Pedro contou pra gente. O momento antes da entrevista é sempre meio tenso, pode acontecer aquela falta de sintonia ou desconforto entre as partes, mas ainda bem, esse não foi o caso. Tanto que tudo pareceu mais uma conversa entre amigos de longa data, tirando o fato de que a gente tinha acabado de se conhecer e ainda estava naquela fase de “quebrar o gelo”, quase que literalmente.

Eu já logo quis saber do básico, aquelas perguntas óbvias, mas que todo mundo tem vontade de fazer. De cara já tinha percebido o quão legal seria entrevistar alguém que fala, fala e fala e, que assim como eu, é fã incondicional das Spice Girls! Hi, see ya, hold tight!

Como eu disse logo ali, o Põe na Roda surgiu de uma insatisfação pessoal com o trabalho. Faltava prazer na hora de criar e a frustração tomava conta da cabeça criativa e ágil do pequeno Pedro. O insight inicial foi bem simples, a criação de um canal de esquetes de humor. Mas daí ele se lembrou que já existiam muitos. Qual poderia ser o diferencial então? [texto classe="texto-padrao esq"] [figure classe="img-post central"]

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento
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Não tinha, e não tem, conteúdo suficiente e de qualidade para o público gay e, principalmente, que fale sobre os gays. Daí a lâmpada acendeu, e bom, como temos visto, está dando certo. “Informação, diversão, não existe um formato idealizado, qualquer coisa gay engraçada tem a possibilidade de pautar um dos vídeos”, garante Pedro.

Mas a primeira ideia, que veio a se tornar realidade e que por incrível que pareça é o vídeo mais acessado até hoje, foi a do “Não é por ser gay...”. “Em fevereiro comecei a colocar as coisas no papel, chamando os amigos e eles foram topando.”. E foi assim que surgiu o vídeo que caminha para as 600 mil visualizações.

A primeira pessoa a saber do então embrião foi o Nelson Carneiro, que acabou se tornando parte do elenco fixo. Na verdade, até então, nem a ideia um elenco fixo existia. O Rick Dourado apareceu três dias antes da gravação do primeiro vídeo que foi ao ar, “ÁGUA: Usando gay, ninguém fica sem!”, e o resto aconteceu durante as gravações mesmo. “Precisava de um estúdio, e o Felipe Abe tinha, nos conhecíamos por amigos em comum, liguei pra ele na cara de pau, pedi que me cedesse o espaço e a parafernália. Também o convidei pra participar, mas ele não quis”. Pedro contou que todo mundo que ele convidava pra esse vídeo ficava com receio. Mas na hora da gravação, foi tão engraçado, que até o Abe mudou de ideia e entrou de última hora.

A repercussão já faz com que os meninos sejam reconhecidos e parados na rua. Eu mesmo presenciei um momento desses durante essa entrevista. Fomos interrompidos por um menino que pediu ao Pedro o email dele, se declarando fã. E claro, outro grande sinal de que as coisas estão dando certo são os haters, que sim, já estão ganhando forma. Mas bom, esse episódio fica pra próxima.

Toda essa movimentação, portanto, já deixou o pessoal do Põe na Roda consciente sobre o potencial de se tornarem porta-vozes dos gays. “Eu acreditei muito nessa ideia, mostrar o mundo gay, desmistificar o mundo gay pra quem não é. Tenho recebido e-mails de gente de todos os lugares, do interior do interior do Brasil, lugares que eu nem sabia que existia. Você percebe que muda alguma coisa na vida das pessoas e se sente útil por isso”, diz Pedro. [texto classe="texto-padrao esq"] [figure classe="img-post central"]

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento
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O vídeo mais rejeitado pelo público, se assim posso dizer (já que tem mais 100 mil views), foi o Escolinha das Drags, que o Pedro ama, mas acredita ter sido o mais criticado por fugir daquilo que eles estavam fazendo nos outros vídeos, de serem também informativos e não puramente diversionais. "O medo de ser julgado existe, já que a relação das pessoas com o humor é muito imediata, elas riem ou não.". Mas ele leva tudo isso muito bem, e já tinha a clareza de que quanto maior é a exposição, maiores são as chances das críticas aparecerem, inclusive, quando surgem as inevitáveis comparações.

“Na internet as pessoas falam o que querem e sempre têm acusações de cópias e tal, mas não tenho problemas com isso. Se eu achar que devo fazer um vídeo inspirado em algum existente, eu deixaria claro que ele é baseado numa ideia previa, adaptada pra uma outra realidade”.

E a gente conseguiu descobrir dois nomes que vão aparecer no Põe na Roda em breve: Nany People e Gustavo Mendes, famoso por fazer imitações da Dilma Rousseff. E o Pedro tem uma listinha de pessoas que ele morre de vontade de que participem, que incluem a Dani Calabresa, o Jean Wyllys e o Harry Louis, por exemplo. E se ele pudesse escolher qualquer pessoa no mundo pra participar, seriam as Spice Girls – e ele não se importaria se a Victoria Beckham dissesse não. [figure classe="img-post central"] Põe na Roda O elenco fixo do Põe na Roda, da esquerda para a direita: Felipe Abe, Rick Dourado, Pedro HMC e Nelson Carneiro. [/figure]

Acabei esquecendo de contar antes, eu demorei um pouco a conseguir concentração no começo da entrevista, o Pedro estava com feições do tipo “eu tô mesmo passando por isso?”, o que garantiu um bom divertimento. Só que o mais interessante dessa história toda, e depois de mais de uma hora de áudio gravado, foi perceber que ao falar sobre o Põe na Roda, ele carrega a ingenuidade, empolgação e brilho nos olhos de uma criança prestes a ganhar o presente que tanto quer de Natal. O que me deixou com mais vontade de ver o que vem por aí! [/artigo]

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