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A médica que tocava corações

A despedida de Cristina Yang foi (e será) incomparavelmente mais difícil que todas as outras. O tom pode parecer dramático, mas é essa a sensação: jamais conseguiremos lidar com a partida da personagem mais maravilhosa de “Grey’s Anatomy”.

Murilo Araújo
[imggrande classe="dois"] Grey's Anatomy [/imggrande] [artigo classe="um"] [hgroup classe="um center"] [secao]Seriando[/secao] [titulo]A médica que tocava corações[/titulo] [manchete]A despedida de Cristina Yang foi (e será) incomparavelmente mais difícil que todas as outras. O tom pode parecer dramático, mas é essa a sensação: jamais conseguiremos lidar com a partida da personagem mais maravilhosa de "Grey’s Anatomy".[/manchete] [autor]Murilo Araújo[/autor] [/hgroup] [texto classe="texto-padrao cen"]

Pessoas que acompanham “Grey’s Anatomy”, uma hora ou outra, precisaram aprender a se acostumar com perdas. Não só pelos pacientes cheios de histórias que passam pelo Grey Sloan Memorial Hospital, e vez ou outra morrem nas mesas de cirurgia, mas, sobretudo, pela partida constante dos nossos personagens mais queridos, às vezes sem nenhuma razão aparente, a não ser a vontade maligna de Shonda Rhimes, a roteirista mais amada e odiada desse mundo, bastante conhecida pela mania de matar misteriosamente as figuras que todo mundo ama.

Nunca vou esquecer, por exemplo, do atropelamento de George O'Malley, lá na quinta temporada, que acredito ter sido a primeira dessas despedidas dramáticas que cortaram o coração dos fãs da série. Nesse caminho, aparecem também Lexie Grey e Mark Sloan, duas mortes pelas quais Rhimes jamais será perdoada. Isso sem mencionar outros que ainda conseguiram sobreviver, mas que também saíram da série deixando aquela pontadinha de dor no coração da gente: Izzie Stevens, Teddy Altman, Preston Burke, Erica Hahn (dessa, nem tanta saudade assim) e a obstetra mais maravilhosa de todos os tempos: Addison Montgomery, que os mais saudosos tiveram que ir acompanhar no spin-off “Private Practice”.

Na última semana, porém, com o fim da décima temporada, tivemos que encarar uma despedida que foi (e será) incomparavelmente mais difícil que todas as outras: a de Cristina Yang, melhor amiga de Meredith Grey, que protagoniza a série. O tom pode parecer dramático, mas é essa mesmo a sensação: jamais conseguiremos lidar com a partida da personagem mais maravilhosa de Grey’s Anatomy. Não foram poucas as ocasiões em que Cristina chegou a sustentar quase todo o drama da série, tendo ofuscado, por repetidas vezes, a própria Meredith. Será impossível não sentir falta dela.

A saída de Yang está prevista desde o começo da temporada, quando a atriz Sandra Oh, que vive a personagem, anunciou a necessidade de seguir com outros projetos. Entretanto, o aviso antecipado não foi suficiente para que nos preparássemos psicologicamente para a despedida. Eu, pelo menos, sofria por antecipação a cada novo episódio, me dando conta do quanto o universo de Grey’s Anatomy vai perder o sentido sem a cirurgiã.

Parte disso se deve ao caminho mal construído que Cristina trilhou, especialmente na primeira fase da temporada, antes do hiato de inverno nos Estados Unidos. Por alguma razão, senti que a personagem vinha sendo um pouco injustiçada, na construção de um clima tenso entre ela e Meredith, o que parecia se encaminhar para as razões de sua partida ao fim dos vinte e quatro episódios. Não seria um final agradável para uma figura tão importante.

Felizmente, depois do retorno da série, no fim de fevereiro, Rhimes conseguiu reencaminhar a participação de Cristina, dando o tom de doçura e companheirismo que sempre marcou a sua relação com Meredith: “You’re my person”, a gente nunca vai esquecer. No fim de tudo, foi dada a ela a despedida que merecia. Com exatidão e cuidado em cada detalhe, a história da médica foi recontada desde o reaparecimento de Burke, que intermediou a sua saída, até a cena da despedida de Meredith, com as duas dançando, como sempre, em um diálogo curto que conseguiu resgatar as coisas mais fortes e mais bonitas que as duas viveram juntas nas dez temporadas de história. Chorei. Chorei muito.

Fico temendo um pouco pelo futuro: se um pequeno desentendimento entre as duas já fez tão mal, o que será de “Grey’s Anatomy” com elas separadas? Penso que os rumos da série têm deixado fortes sinais da necessidade de seu cancelamento – o que tem ficado evidente desde a temporada passada, ainda com a presença de Sandra Oh. Por mais órfão que eu vá me sentir quando ela acabar, prefiro um final que me deixe saudades em vez de uma continuidade ruim, que vá minando aos poucos o interesse pela trama. O último episódio deixou alguns elementos interessantes: a filha perdida de Ellis Grey, a concessão de parte do hospital para Alex, as complicações entre Meredith e Derek... material que os roteiristas precisarão explorar bem para fazer a coisa continuar andando.

A saída de Cristina é só mais um elemento, mas um elemento importante que deve tornar as coisas significativamente mais difíceis... Não havendo alternativa, resta apenas a nossa torcida pela série, e o dever de dedicar a Sandra Oh todos os méritos pela construção de um personagem tão rico, tão consistente e tão apaixonante. Com um talento indiscutível, a atriz deu corpo a uma cirurgiã cardiotorácica tão incrível, que conseguiu tocar corações não só dos seus pacientes na série, mas também os nossos, ao menos metaforicamente. Ficará de nós aquela saudade de fã que nem todo mundo compreende, e a gratidão pelos tantos episódios de sorriso e lágrima que compartilhamos no decorrer dessas dez temporadas. [/artigo]

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