Vestiário

O melhor site de cultura pop e lifestyle gay do Brasil.

O Grammy sem credibilidade de ontem, de hoje e sempre

Entre injustiçados com a mão abanando e os premiados supervalorizados, o Grammy mantém o status apesar das críticas.

Jader Gomes
[artigo classe="quatro"] [hgroup classe="um alta"] [titulo]Carta ao Leitor[/titulo] [manchete]O Grammy sem credibilidade de ontem, de hoje e sempre[/manchete] [/hgroup] [texto classe="texto-padrao esq"]

Grammy é considerado, ou se vendeu tão bem que não deixou ninguém dizer o contrário, o maior prêmio internacional da música. Já se foram 55 edições desde a sua criação, em 1959, onde os profissionais da indústria fonográfica receberam prêmios como forma de reconhecimento pelo trabalho ao longo de um determinado período, normalmente um ano.

Mas, às vésperas da 56ª noite do Grammy, é interessante discutir mais um pouco sobre a verdadeira intenção ou credibilidade da premiação, algo que vem ganhando cada vez mais adeptos, principalmente entre os famosos. Mesmo que matematicamente todos os indicados em uma categoria tenham as mesmas chances, prêmios discutíveis e injustiças são acusações recorrentes.

Recentemente, foi Kanye West quem se irritou e mandou a academia para o raio que a parta. O rapper, que já levou 21 gramofones pra estante, não se mostrou nada satisfeito com as duas “ínfimas” indicações de “Yeezus”, seu disco lançado em 2013. E inclusive colocou em pauta a diferenciação entre artistas brancos e negros. “Nenhum de todos esses Grammys eu ganhei de um artista branco”, disse.

Já Eddie Vedder, do Pearl Jam, ousou. Ele subiu ao palco para receber o Best Hard Rock Perfomance por “Spin The Black Circle”, em 1996, e foi super sarcástico — ou seria sincero? — ao dizer que o seu verdadeiro sentimento com relação ao acontecido era nenhum, “não significava nada”, simples assim. Esse discurso de Vedder abre brecha pra muitas questões, uma delas: qual é o verdadeiro interesse de um artista com o Grammy? [figure classe="img-post central"]

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento
[/figure]

Não podemos dizer que o status quo de um vencedor do Grammy não mude assim que aquela estatueta de ouro feita à mão passa a ser o seu bibelô, e querendo ou não, todo mundo curte uma massagem no ego quando se cumpre bem um trabalho ao qual se dispôs. Mas, muitos podem ser os interesses de um artista para com o Grammy. Reconhecimento da indústria? Reafirmar para o público que o seu trabalho merece ser consumido? Esfregar na cara que é melhor do que outro artista? Muitas podem ser as intencionalidades, boas ou más, se assim puderem ser divididas.

Da mesma forma, a verdadeira intenção de um gramofone parar na mão de uma pessoa pode ser muitas vezes obscura. Terá vencido por mérito? Foi um acordo entre a academia e o artista, a gravadora? Foi uma troca de favores? Todas essas questões, ou algumas delas, são sempre levantadas com vitórias indignantes, como a de Chris Brown como melhor disco de R&B em 2012.

Na edição que acontece amanhã, 26, há a suposta negativa de Justin Timberlake em se apresentar por ter sido quase que esquecido pelas categorias, não concorrendo em nenhum dos principais prêmios. O dono de um dos materiais mais elogiados e coesos de 2013, foi subjugado perante a novata Lorde, que surgiu “do dia pra noite” e foi supervalorizada de todas as formas possíveis com seu “Pure Heroine”. Em que medida o trabalho dela é tão superior ao “The 20/20 Experience” de Timberlake? Tenho minhas dúvidas. Se a justificativa for o fato de “Royals” ser uma das campeãs de execução nos Estados Unidos, o álbum de Justin foi a estreia de maior vendagem masculina do ano e o álbum lançado em 2013 mais comercializado no mundo.

Mas podem-se passar edições e mais edições, as indicações e os resultados do Grammy continuarão causando polêmicas, algumas mais do que outras, óbvio. Se Kanye West foi oportunista e só resolveu se rebelar quando pisaram em seu pé, também existe a possibilidade. Se Eddie Vedder foi realista ou não, também. Se o Grammy é tão descaradamente manipulado, não podemos garantir. Só achamos que esses tais interesses obscuros realmente fazem parte da premiação, o que também não anula o reconhecimento legítimo de todo e qualquer vencedor. Todos os pontos e contrapontos? Fazem parte do show!

Um abraço,
Jader Gomes [/texto] [/artigo]

Comentários
Edição #Grammy56
O empurrão do gramofone
Vitrola

O empurrão do gramofone

Lucas Calore

O Grammy dispensa apresentações. O maior e mais importante prêmio musical mundial chega a sua 56ª edição, e ganhar o famoso gramofone dourado ainda é um reconhecimento que todo artista deseja.

Leia a Matéria
Um Grammy para a arte
Almanaque

Um Grammy para a arte

André Pacheco

Mesmo estremecida, a nossa relação com a direção de arte de um álbum continua significativa. E a indústria sabe o poder da comunicação visual, mesmo nos tempos da música efêmera.

Leia a Matéria
Newsletter

Assine e receba por email as nossas principais atualizações, além de conteúdo exclusivo!