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Todo mundo fala, mas ninguém sabe o que é

A gente fala um pouco de “liberdade” nesta edição, de tentar pensar além com as coisas que colocam como verdades imaculadas, feitas uma imagem da virgem santa num altar.

André Pacheco
[artigo classe="quatro"] [hgroup classe="um alta"] [titulo]Carta ao Leitor[/titulo] [manchete]Todo mundo fala, mas ninguém sabe o que é.[/manchete] [/hgroup] [texto classe="texto-padrao esq"]

emana passada, fomos surpreendidos por uma notícia triste. O Rafa, que faz parte aqui do coletivo, foi vítima de violência. Enquanto comia num Habib’s ali na região da Augusta, aqui em São Paulo, foi atacado física e emocionalmente por um rapaz. Mas o pior, se a gente parar pra ver, nem foi só isso. A ato aconteceu na frente de um gerente da rede, que mesmo depois do ocorrido, não deu a mínima de atenção a ele. A PM, como era de se esperar, se fez de tonta. O Rafa foi tratado como um lixo justamente por estar querendo ser quem ele gostaria de ser.

Durante os dias, fui pensando bastante sobre isso tudo. E, ao invés de martelar na homofobia e no debate de gênero, como fiz na edição passada, acabei indo de encontro a algo mais profundo. Quis entender o que é a palavra “liberdade”, pois ela é complexa em seu significado, é cheia de meandros e muitas vezes, não é entendida. A gente é o tempo todo tolhido, dizem como devemos nos vestir, falar, articular, como transar, como encarar a vida. Somos, todos nós seres humanos, colocados em caixinhas e lá deveríamos ficar, sem ao menos nos dão o direito de questionar essa porcaria toda. Sair dessas caixinhas é a garantia de julgamentos, pedras, violências, ameaças, medos. Pois bem, é hora de dar a cara a tapa.

E a gente fala um pouco de “liberdade” nesta edição, de tentar pensar além com as coisas que colocam como verdades imaculadas, feitas uma imagem da virgem santa num altar.

Em comportamento, trouxe um tema polêmico, mas que pode render uma discussão saudável. Falo de bareback, ou, sexo sem camisinha. Problemático, né? Não é só uma questão de julgar a liberdade de alguém poder escolher entre usar ou não preservativo, é também ir a fundo num assunto que traz à tona mil e uma questões que norteiam a forma como a gente vem lidando com um assunto sério, a Aids. A matéria está extensa, explicativa e questionadora. Também trago um editorial sobre suicídio, que, querendo ou não, envolve ter a liberdade de decidir quando morrer. Macabro? Julgue como quiser, mas eu te dou a liberdade de tentar pensar um pouco sobre um dos maiores tabus que a sociedade carrega.

O Murilo, em mais um de seus textos pessoais e bonitos, fala um pouco dos seus sentimentos sobre a violência que o Rafa sofreu. O Jader vem com um assunto mais leve, mas que traz em tona a liberdade de poder expressar uma opinião, de forma leve, sem a angústia de receber pedradas de quem, ao contrário, saiu da caixinha e interpreta as coisas com uma riqueza de referências e opiniões.

Liberdade é mais que um bairro em São Paulo, é mais que poder ir e vir, é mais que uma palavra bonita. Liberdade está em poder decidir suas próprias ações, desde que, claro, respeitemos os limites da liberdade dos outros. Liberdade é poder usar saia sendo homem, e poder ficar calmo com isso enquanto se come uma esfiha numa lanchonete, mesmo que ela seja da rede Habib’s. Liberdade é poder abdicar da camisinha, mesmo que isso traga riscos. Liberdade é poder pensar além do que falaram pra gente desde que éramos moleques. Ter conhecimento, capacidade de análise e compreensão, também é ter liberdade. [assinaturaandre] [/texto] [/artigo]

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Edição #04
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